lunes, 11 de diciembre de 2017

Misticismo naíf


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"Quimera", revista de literatura, nº 408, pág. 63, diciembre de 2017

lunes, 13 de noviembre de 2017

El poeta escribe su epitafio







Miguel Rivera, vocalista del grupo sevillano Maga, pone música a "El poeta escribe su epitafio", poema perteneciente a mi libro Frecuencias (Visor, 2012).

Fue en el programa "Ahora empieza todo" (Radio 3, RNE) el pasado día 30 de octubre.

Muy agradecido.

Y aquí el poema original:


lunes, 25 de septiembre de 2017

La eternidad va a ser un poco larga (Robert Sabatier)




LA ETERNIDAD VA A SER UN POCO LARGA
(UN POEMA DE ROBERT SABATIER)

A menudo entro y salgo de mí mismo
y alguna vez me solicito audiencia.
Topo conmigo en largos corredores
y pongo cara de que no me asombro
o bien me ignoro.

Un breve llanto oscuro
rompe un espejo. Vamos de viaje,
nos dejamos, jugamos a escondernos,
mi cuerpo y yo, esposos de la aurora.

¿Soy yo sin ser? ¿Y no es soñar vivir
fuera de sí, de los muros, la duda,
donde el cuerpo no llega, porque pesa
más que el bronce y el plomo del cerebro?

Y me voy por lugares musicales
para olvidar el sitio donde habito:
la arcilla densa de donde entro y salgo
ya vivir me resigno sin mis alas.

―Entrad en mí, pues tengo mil alcobas
para vosotros, salas e invernáculos.
Mas nadie viene, el único invitado
soy yo, en la casa demasiado grande.


[Traducción de Enrique Moreno Castillo]

lunes, 18 de septiembre de 2017

Canal Saturno (Aragón Televisión)



El actor José Luis Esteban  interpreta el poema homónimo de mi libro Contra las cosas redondas (La Bella Varsovia, 2016) en el programa "Canal Saturno" de Aragón TV (martes 5 de septiembre de 2017).

lunes, 11 de septiembre de 2017

Abre la puerta


Teatro del Temple y Tanttaka Teatro traen los días 15 y 16 de septiembre a Zaragoza Abre la puerta, una propuesta escénica interdisciplinar y mestiza, en la que se unen palabra, música en directo, imagen, emoción, humor y experiencia sensorial para mostrar una reflexión escénica sobre la realidad y el deseo del ciudadano del siglo XXI.

Un espectáculo de José Luis Esteban y Naiel Ibarrola.

Dramaturgia de José Luis Esteban sobre textos de Walt Whitman, Manuel Vilas, Ana Elena Pena, Nicolás Guillén, John Giorno, Jaime Gil de Biedma, Federico García Lorca, Isla Correyero, Charles Bukowski, José Luis Esteban y Jesús Jiménez Domínguez (sí, da un poco de cosa verse ahí, entre nombres tan apreciables).

Audiovisuales y música original compuesta e interpretada en directo por Naiel Ibarrola.

Será, ya digo, los días 15 y 16 de septiembre (a las 20:30 horas) en el Teatro del Mercado de Zaragoza, dentro de la primera edición del Festival ZGZ Escena.

Atreveos a abrir esta puerta.

lunes, 31 de julio de 2017

Pliego de condiciones de la casa (Luis Garde)









PLIEGO DE CONDICIONES DE LA CASA
(UN POEMA DE LUIS GARDE)

No
si no tiene alas de goma y ruedas de pluma.
Si no sabe navegar por las calles,
si sus habitaciones no son navegables.
Si el viento no hincha las velas gastadas
de las camisas tendidas en los balcones.
Si los motores bajo las camas
no están engrasados con intenciones realizables;
tampoco si el fondo de los espejos
hermosea las caras de los inquilinos.

No
si su genealogía
no está dibujada
con hojas de una sola estación,
con brotes podables e injertables;
si no se invalidan los derechos de primogenitura,
si la casa no es capaz
de dar a luz otra casa.

No
si el tejado no tiene agujeros
del tamaño de aves migrantes
y a la medida de nuestras cinturas,
si las paredes no son móviles y provisionales;
si las vigas no asimilan el temblor de nuestras manos,
si al huésped
se le pide un peaje no acordado,
no
si al pintar las manchas oscuras de las paredes
se ocultan los sueños más húmedos,
si los ángulos rectos no se curvan con el calor de los cuerpos,
si las ventanas no son más amplias que las paredes,
si las puertas no son plantas regables
y si los cimientos no son tan líquidos como la palabra labio,
si las raíces no son capaces de hundirse o de brotar
a golpe de latido de la arena movediza o del agua no estanca.

No firmaré,
ya no defenderé más, amigos,
ese lugar contra la tormenta
y ese tiempo de tormenta
que llamamos casa
si no la vamos construyendo
de acuerdo a los comportamientos cambiantes,
con daños razonablemente llevaderos,
de la mecánica de fluidos.

lunes, 24 de julio de 2017

Dois poetas de Espanha

Tem tradição entre nós o interesse pela poesia vinda de Espanha, patenteado desde há muito tanto no incansável trabalho de divulgação levado a cabo por José Bento (n. 1932) como nas traduções de Joaquim Manuel Magalhães (n. 1945). Pequenas editoras como a Averno, a extinta Ovni, a Língua Morta, a Douda Correria, a Medula e a do lado esquerdo, para citar umas poucas entre outras que por certo estarei a esquecer, deram e vão dando continuidade, conforme os casos e na medida das suas possibilidades, a esse esforço de publicação de poetas herdeiros da língua de Cervantes. Dois livros recentes são exemplo desse mesmo esforço, assim como de uma pluralidade que mantém viva a poesia produzida por nuestros hermanos.
  
Comecemos por Carne de Leviatã (Douda Correria, Junho de 2016), de Chus Pato (n. 1955), poeta galega estreada em 1991 com um livro intitulado Urania. Uma nota final informa-nos de que a obra traduzida por João Paulo Esteves da Silva encerra a pentalogia Decrúa, iniciada com a publicação de m-Tala (2000) e continuada com os livros Charenton (2004), Hordas de escritura (2008) e Secesión (2009). É igualmente da autora um apontamento explicativo do título Carne de Leviatã, o qual foi respigado em Giorgio Agamben numa passagem onde se alude à tradição judaica. Leviatã é um dos três animais da origem que servirá de banquete aos justos nos dias do Messias. A poesia de Chus Pato tinge-se de inúmeras alusões congéneres, provenientes tanto da mitologia greco-romana como da tradição judaico-cristã.
Transgredindo as convenções do lirismo focado no sujeito, assume uma tendência reflexiva que aproxima amiúde o discurso poético do pensamento filosófico. Neste contexto, o problema da linguagem, da relação entre as palavras e os corpos nomeados, é uma das temáticas mais em evidência, ainda que reflectindo simbolicamente, por meio de uma linguagem que privilegia o sentido metafórico das palavras, certa dimensão ética de que o poema não abdica. Sirva de exemplo esta

Clareza de Juízo

Entendo que a vida é o que vivemos: esta a tua a
   minha a nossa vida
entendo que um poema é pobreza comparado com a vida
entendo que é pausa
que por um instante separa a vida de si
que pesa e faz balanço
aguça os sentidos
Entendo que é acesso ao intelecto
um vértice corpóreo
impróprio
Assim o entendo
que o poema indica a desconexão entre melodia e
   sentido
Entendo que um poema só se escreve com versos finais

Desfunda o idioma
desfunda a vida



Esta ideia de poema enquanto acesso ao intelecto é o que mais sobressai na poesia de Chus Pato, jogando aqui com alegorias, acolá com símbolos, por vezes aforística, outras vezes elíptica, no encalço de um idioma capaz de traduzir a intensidade dos ritmos que pautam o andamento do mundo. À imaterialidade da linguagem, a poesia responde com a ambiguidade do verso: «escrevo a voz como um país estrangeiro». É este o seu poder alquímico, o seu assombro, a sua estimulante e desafiante proposta.

Bem diferente é a poética de Jesús Jiménez Domínguez (n. 1970), natural de Saragoça. Ensinar o eco a falar (do lado esquerdo, Abril de 2017) é uma antologia com poemas provenientes de três livros do autor: Fundido en Negro (2007), Frecuencias (2012) e Contra las cosas redondas (2016). A confiar na informação disponibilizada online, pois, infelizmente, nenhuma nota explicativa acompanha esta edição, ficou de fora o poemário de estreia Diario de la anemia / Fermentaciones (2000).

Inscrita nas tendências dominantes do seu tempo, poder-se-ia dizer desta poesia o mesmo que se diz de tanta outra arreigada aos pormenores do quotidiano. Nos primeiros poemas sobressai o tom elegíaco proveniente de uma paisagem urbana com bares e cemitérios em pano de fundo. A solidão, a melancolia, o tédio, são constantes que atravessam poemas devedores de uma narratividade que o poema de Billy Collins incluído no segundo conjunto bem sintetiza em cinco singelos versos da segunda estrofe: «Sirvo-me dos detalhes mais simples / — um cão adormecido no chão, / um pássaro que escapa por uma janela — / para me revoltar contra a tradição literária / mais grandiloquente» (p. 27). Não enjeitamos, porém, a possibilidade de no futuro ser esta a tradição contra a qual alguém escreverá, por antever no prosaísmo discursivo, eivado aqui e acolá de referências multiculturais e de uma ligeira ironia, a pose repetida do flâneur baudelairiano: «A cidade por onde caminhamos é um sapato demasiado apertado» (p. 13).

O existencialismo previsível que matiza grande parte destes poemas resulta em cenas quotidianas e rotineiras, descontinuadas apenas pela capacidade que o poeta demonstra em, a espaços, arriscar olhar para o mundo sem por ele ser absorvido. É o caso do poema que deu título ao último dos livros contemplados nesta breve antologia traduzida por Maria Sousa:


CONTRA AS COISAS REDONDAS

Amamos as coisas redondas e pensamos
que vão ser eternas e amáveis e perfeitas:
a toranja debaixo do rotundo sol de agosto,
a pulseira que orbita em volta do pulso,
a moeda com duas caras e nenhuma cruz,
a bola de praia em cujo interior ainda se respira
um ar paciente de mil novecentos e oitenta e dois.

Há dias redondos em que tudo se encaixa
e a vida parece andar sobre rodas:
alguém, de lixa na mão, encarregou-se
de subtrair ao mundo todas as esquinas,
todas as arestas, todas as bordas.

Mas basta que atravesses um declive
ou que tudo se volte, de repente, para cima,
para verificar que são as coisas redondas
as primeiras a sair e a começar a correr:
a toranja, a pulseira, a moeda e a bola.

Eu recuso-me redondamente a aceitar tais desplantes.
Às formas esféricas eu oponho as coisas informes.
Escolho as imperfeitas, as imprecisas, as irregulares.
Aquelas cheias de defeitos, amolgadelas ou dobras.
Bonitas e originais, sem se sujeitarem a nenhum centro,
só elas permanecem e nos acompanham sempre.


HENRIQUE MANUEL BENTO FIALHO, blog personal (15-06-2017)

lunes, 5 de junio de 2017

"Ensinar o eco a falar" en la televisión portuguesa



Ensinar o eco a falar, la antología de mi poesía que la editorial Do Lado Esquerdo publicó hace pocas semanas (selección y traducción de Maria Sousa), aparece reseñada en el "SIC Noticias" de la televisión portuguesa (algo así como el "24 Horas" de aquí).

Como siempre, muito obrigado.

lunes, 8 de mayo de 2017

Con las cosas informes

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Gregorio Muelas Bermúdez
Crátera, nº 0, abril 2017

lunes, 17 de abril de 2017

Festival "REALIZAR: poesia"

 
El próximo sábado 22 de abril, a las 16:30 horas y en el Centro Cultural de Paredes de Coura, Maria Sousa (editora de Do Lado Esquerdo) y yo mismo estaremos presentando "Ensinar o eco a falar", una antología de mis poemas felizmente traducidos al portugués.